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Magritte's window
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A todos os que tenham passado por "Noites do Amanhecer", eu quero muito sensibilizada agradecer os afectos feitos de palavras suavemente poisadas neste espaço!
Tenho mantido algum silêncio, pelo tempo exaustivo de trabalho que me desgasta, e também pelo tempo de reflexão que me acompanha.
Este blogue começou por ser uma 'folha de afectos'... marcas profundas de sentires e sentimentos que me doíam e me asfixiavam.
Assim, mesmo sem eu querer, tornou-se um lugar de culto. Aqui escrevi em noites tantas vezes do amanhecer, fragmentos de muito de mim... alegrias, tristezas, saudade, morte, prazeres estéticos, e tantos outros aspectos de que me rodeio nas noites de invernia ou de outono, como esta de luar escondido a anunciar que os tempos de bruma se aproximam.
Vários ciclos de vida se fecharam ao longo destes anos. Alguns aceitei ou optei por fechá-los... outros se fecharam abruptamente, deixando marcas de mágoas no meu âmago que necessito 'curar' ou apenas 'fingir' que esqueço!
Não vou dizer que termino por aqui... para depois voltar! Tenho visto isso e não quereria deixar passar uma falsa mensagem!
Prefiro dizer que não sei... com fortes probabilidades de não voltar.
Mas aqui virei, carinhosamente, algumas noites, tal rito de amor sentido, reler o que escrevi e os afectos que despertei nos que me visitaram.
Alguns depositaram promessas de grandes amores que deixaram rapidamente morrer... mas mesmo assim, eu guardo em mim tais íntimas e doces palavras. Pertencem-me porque me foram dadas!
Afinal, eu preferiria a vida, lá fora! Pessoas, as que me gostariam, um olhar nos olhos, um tocar, afagar... quando assim se sente e necessita! Sinto-me bem quando demonstram que 'me' gostam!
"Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janella.
[...]
Alberto Caeiro, 'O Guardador de Rebanhos', 08.03.1914
Beijos em cor de lua cinza-prata com tonalidades de azul, da cor do firmamento deste lugar descortinado, que me ouve atentamente 'sempre' com todo o tempo do mundo, atento aos desabafos meus feitos em noites do amanhecer...
Y. Lune
noite do amanhecer, ao som de Waltzing Mathilda, Tom Waits, 1977 live)
21.10.2007


O facto de serem publicadas as Confissões de Madre Teresa fez-me confusão! Não pelo facto religioso em si, mas pelo direito à privacidade de alguém que já não pode opinar.
Já exprimi este sentimento sobre a publicação das Cartas de Amor de Fernando Pessoa.
Como é possível pessoas interpretarem ou compreenderam os seus desabafos ou pensamentos se nem conviverem com Madre Teresa, no dia-a-dia, não souberam nunca o que lhe ia na alma, como reagiu face aos momentos felizes ou de desespero partilhados ao longo da sua vida dedicada aos que sofrem?!
A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhe proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.
Y.lune

Perdão
Seria o beijo
Que te pedi,
Dize, a razão
(Outra não vejo)
Porque perdi
Tanta afeição?
Fiz mal, confesso;
Mas esse excesso,
Se o cometi,
Foi por paixão,
Sim, por amor
De quem?... de ti!
Tu pensas, flor,
Que a mulher basta
Que seja casta,
Unicamente?
Não basta tal:
Cumpre ser boa,
Ser indulgente.
Fiz-te algum mal?
Pois bem: perdoa!
É tão suave
Ao teu coração
Mesmo o perdão
De ofensa grave!
Se o alcançasse,
Se o conseguisse,
Quisera então
Beijar-te a mão,
Beijar-te a face...
Beijar? Que disse!
(Que indiscrição...)
Perdão, perdão!
João de Deus, Campo de Flores, 1893


© AFP/File Jose Jordan
A Espanha lançou a campanha "Ler na Praia" para motivar as pessoas a adquirir hábitos de leitura.
Nada mais original do que ver actores vestidos à época das novelas de Cervantes, passeando nas praias e oferencendo livros aos banhistas.
Esta fotografia foi feita numa das praias de Valencia.
É sem dúvida um dos maiores prazeres! Ler na praia... de frente para o mar!
Y.
noite do amanhecer, 11.08.2007

Imagem: Kim Jae-Hwan/ AFP 2007
[...]
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre, Trova do Vento que passa
Y.
(em homenagem aos que choram em lágrima vermelha caída na noite)
02.08.2007

Fotografia: Omar Torres/ AFP 2007
Museu Frida Kahlo [Mexico]
Uma adaptação biográfica bastante livre, sem dúvida, mas deu a conhecer a riqueza vivencial de Frida e a extrovertida arte dos seus quadros, numa esfuziante panóplia de cores e novos conceitos onde a tradição mexicana se espalha num universo colorido e passional.
Frida Kahlo [1907–1954], a artista mais polémica da história do México, pela vida, pelo envolvimento nas questões sociais do seu país. E Frida fez da sua vivência pessoal o tema principal de seus quadros.
Amante da cultura mexicana, em especial do mundo Azteca, esta artista autodidacta, descreveu o seu drama pessoal de forma muito crítica, através da figuração e da côr que utilizou de forma vibrante.
Os seus quadros têm o fantástico, que muitos procuram ver ligado ao surrealismo, mas é um erro.
Enquanto os surrealistas pintavam o subconsciente, o escondido, o sonho, o irreal, Frida pinta as emoções da sua vida.
"Pensaram que eu era Surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."
Frida

Pintura: Livros/ Van Gogh
Ler é trazer a si, mas não cenas e imaginação.Trazer o real de outra vida que nos chame humanos.
Maria Gabriela Llansol, Restante Vida, 1978
A escritora Maria Gabriela Llansol venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores [APE] 2006, pela obra Amigo e Amiga - Curso de Silêncio de 2004 [Assírio e Alvim].
É a segunda vez que a escritora é galardoada com este prémio, depois de em 1990 ter sido distinguida pela obra "Um beijo dado mais tarde".
Maria Gabriela Llansol, de ascendência espanhola, nasceu em Lisboa em 1931 e é considerada uma das mais inovadoras escritoras da ficção portuguesa contemporânea.
O Grande Prémio de Romance e Novela já distinguiu 21 autores portugueses, entre os quais Agustina Bessa-Luís, Vergílio Ferreira e António Lobo Antunes.
http://jn.sapo.pt/2007/05/18/ultimas/Mar
(texto adaptado com supressões)
Y.
noite do amanhecer inundada de folhas de papel desumanizadas num acto irreal
23.05.2007
Sheryl Crow
Imagem: Mario Anzuoni/ Reuters 2007
"As we've been telling them, it's not about doing everything, it's about doing something."
Sheryl Crow juntamente com a activista ambientalista Laurie David, co-produtora do filme documentário Uma Verdade Inconveniente fizeram uma tournée por vários campus universitários norte-americanos , alertando para o aquecimento global, sensibilizando assim as novas gerações a empenhar-se na luta pelo ambiente.
"Esta não é uma questão política, é uma questão moral. Temos tudo para começar, exceptuando talvez a vontade de actuar. E isso é uma energia renovável".
Al Gore
[79ª Edição dos Óscares]
Y.
(noite do amanhecer invernia paisagem, sons de silêncio)
12.05.2007